sexta-feira, maio 26, 2006

Permitam-me o delírio

Majestosamente enrodilhada na minha mantinha de estrelas (embora febril, asseguro que a manta tem realmente estrelinhas e de várias cores…), desde quarta-feira que deliro na vontade de partilhar absurdos...
Ao rejeitar quase todos os tipos de luz e som, com curtos períodos sem dores de cabeça, espirros e o admirável pingo ao nariz, enquanto permaneci acordada bebi chaleiras e suspirei por alternativas aos nossos fantastic four nacionais e a uma internet que desligava mais do que ligava…
A minha linha de raciocínio nunca foi muito normalzinha, então com a broa já a Merche dançava com o Goucha enquanto o Donaldim cantava bêbado naqueles septetos alegres…Salvaguardo aqui alguns dos músicos, que não têm culpa de muitas das escolhas feitas e de quem sou amiga, com muito gosto e alguma inveja, porque ganham dinheiro com’ò ca*****.
Entre o desfilar das pseudo celebridades a comentarem as dietas e os “não perca o caso da Graça a quem o marido obrigou a prostituir”, só conseguia pensar nos meus pais, sortudos de férias nos Açores.
Como não posso fugir de férias, não tenho um emprego esfábuloso, e a realidade que me espera é dura, permitam-me este delírio, de uma pausa rinítica forçada, que veio no fim e por bem proporcionar-me algum espaço ao surreal.
E porque falo de tempo, de espaço, de disponibilidade e urgência, não posso deixar de falar no Deadline Now, oficialmente by Von Magnet for Persona.
Embora não considere este tipo de fronteiras na criação artística concreta e justamente definível (criado por, interpretado por, para,), conhecendo as pessoas envolvidas e a sua forma de estar e trabalhar em projectos de residência, portanto em comum, associei preferivelmente o termo for a um presente: criado por Von Magnet para ou dedicado a Persona…
Já apelidado de longo, repetitivo e, o que tenho de concordar: perturbante; questionado o local, etc.… A minha única questão e indignação, continua e cada vez mais a prender-se com a falta de respeito demonstrada por a quem de direito caberia promover, apoiar e divulgar uma companhia que, mais do que “Feirense”, e já chega de bairrismos bandeira inúteis (presentes envenenados), se qualifica artisticamente a duras penas e custos a nível internacional…
Cada espectáculo vale pelo que faz sentir e esta perturbação que me pareceu comum entre o público não é de todo gratuita e casual. É fruto de um trabalho cuidadosamente estruturado “em companhia” a nível conceptual, a nível de trabalho físico de actor, a nível musical (Phil e Flore com composições originais e interpretações ao vivo), e a nível de imagem com projecção e manipulação até em directo, etc…
Para terminar, criar e montar um espectáculo desta envergadura em regime pós laboral e com duas residências onde é exigida a entrega incondicional e a tempo inteiro, merece mais do que tem recebido. Sejam os tais apoios formais ou até alguma leviandade com que muitas vezes, as suas obras são recebidas pelo público (algumas até antes de existirem…).
São homens e mulheres com toda a sua carga profissional, familiar e humana, e porque artistas, respondem num esforço sobre humano e com laivos de brilhantismo ao chamamento da arte e do palco. Aqui fica a minha homenagem.
Vivam, Persona!

3 comentários:

Anónimo disse...

ninguém vê nada?!

Persona disse...

Quem vê não precisa de dizer que vê! Já viste se andávamos todos sempre a dizer aquilo que víamos? Seria um ruído insuportável...

Anónimo disse...

O que vi, foi apenas o que não me foi possibilitado ver.
Pareceu-me algo cuidado e bem elaborado.
Deu-me pica. Fiquei curioso. Queria ver. Quero ver. Quero ver...
Surge então a revelação - parte II - para gáudio de todos os que preferem ver e que o referem bem alto.